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Beber
/ Vinhos / Enogastronomia

Por
Beatriz Marques
Vinho verde é mais uma opção para
acompanhar pratos japoneses. Confira as combinações
O mais português dos vinhos. Assim é chamado o vinho verde,
produzido apenas em Portugal e consumido, em sua maioria, pelos habitantes
do país. De baixo teor alcoólico (em torno de 10%)
e acidez acentuada, a bebida chega à mesa nas versões tinta,
acompanhamento tradicional do bacalhau, e branca, que escolta pratos típicos
feitos com pescados, frutos do mar e carnes leves.
A primeira não
agrada muito os paladares do resto do mundo, por sua acidez elevada. Mas
o vinho verde branco tem mostrado bom desempenho com outros pratos fora
da Península Ibérica. Um exemplo é a culinária
japonesa, em noite de harmonização com a bebida organizada
pela SBAV-SP (Sociedade Brasileira dos Amigos do Vinho de São Paulo).
Comandada pelo médico
e vice-presidente Daniel Pinto, a degustação teve pratos
elaborados pelo restaurante japonês Jam Warehouse (SP). (Confira
o cardápio e as características dos vinhos da harmonização
no final da reportagem).
As impressões
Divulgação |
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Prato
do japonês Jam |
A combinação
foi elogiada pelos participantes. O elegante vinho Grinalda (3) foi considerado
o “coringa” da degustação, ou seja, aquele que
caiu bem com todos os pratos servidos, embora o Aveleda Alvarinho,
mais encorpado, tenha se destacado em algumas combinações,
como a de creme de peixe branco sobre ninho de nirá.
“É preciso lembrar que a mesma harmonização pode
variar de acordo com cada restaurante, pois o preparo do prato pode variar
entre eles”, lembrou Edécio Armbruster, presidente da SBAV-SP.
Esta proposta enogastronômica,
iniciada pela Interfood (importadora exclusiva da Quinta da Aveleda, tradicional
e respeitada vinícola portuguesa) e logo adotada pelo Jam Warehouse,
visa divulgar nos restaurantes japoneses uma bebida alternativa
ao Champagne, segunda opção depois do saquê
no acompanhamento, por exemplo, de sushis e sashimis.
Saul Galvão
explica em seu livro “A Cozinha e seus Vinhos” que a
utilização de temperos orientais como shoyu e wasabi
dificultam a combinação de sushis e sashimis com vinhos,
restando ao Champagne e aos espumantes jovens e ácidos o papel
de escoltá-los.
Assim, a aposta recaiu
na “semelhança” entre o vinho verde e os espumantes:
o toque acídulo e de gás que resta mesmo depois da segunda
fermentação (a malolática) proporciona a sensação
de “agulha” na boca.
Além da harmonização
com pratos quentes, da qual o Basilico participou, sushis
e sashimis também já entraram na prova de fogo. Daniel Pinto
dá o veredicto: “O único problema foi o shoyu.
Os peixes crus combinaram muito bem”. Além de ser
uma alternativa aos espumantes, outra vantagem da harmonização
da culinária japonesa com os vinhos verdes está no preço.
“Ele é mais barato do que o Champagne”, ressalta o
médico.
Saiba
mais sobre o vinho verde
O vinho verde é uma bebida típica da região
do Minho, Noroeste de Portugal, onde vive a maior concentração
(cerca de 20%) de habitantes do país. Com área de
70 mil hectares, as uvas que entram em sua composição
representam 15% do total plantado em Portugal. O clima é
marcado por estações bem definidas, com chuvas de
inverno (as chuvas no verão prejudicam o amadurecimento da
fruta). Seu solo é granítico, xistoso, arenoso
e com formação de gnaisse.
As sub-regiões
do Minho são: Monção, Lima, Amarante, Penafiel,
Braga e Basto.
A origem do nome vinho verde é incerta. Alguns dizem que
o vinho ganhou esse nome devido ao seu frescor, jovialidade
e acidez, caraterísticas de um fruto ainda verde.
Outros sustentam que ele vem da região, que abrange a maior
área verde do país. A bebida tem sua denominação
registrada desde 1973, mas o vinho é conhecido desde o século
17.
As principais
uvas do vinho verde branco são: Alvarinho, Pedernã,
Trajadura (também conhecida como Trincadeira), Azal Branco
(ou Gadelhudo, Pinheiro), Avesso e Batoca. Já as que compõem
o tinto são Espadeiro, Rabo de Ovelha e Vinhão.
Em seu processo
de produção, quase 100% das uvas ácidas passam
por uma 2ª fermentação, a fermentação
malolática (que transforma o agressivo ácido málico
em ácido lático, mais suave). Atualmente,
essa gaseificação natural característica do
vinho verde costuma ser incrementada com a adição
de gás carbônico.
O resultado
final é um vinho leve, de alta acidez e baixo teor alcoólico,
ligeiramente ácido e que precisa ser consumido ainda jovem,
ou seja , os melhores vinhos verdes são de safras recentes.
Os feitos com a uva Alvarinho, menos ácidos, mais encorpados
e com bastante classe, duram um pouco mais (cerca de 3
anos). Todos devem ser servidos entre 8 e 10ºC.
Fonte: SBAV-SP
e "A Cozinha e seus vinhos", de Saul Galvão
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Vinhos
verdes degustados
(1)
Quinta da Aveleda
Uvas: Trajadura (ou Trincadeira), Loureiro, Azal e Avesso
Teor alcoólico: 10% vol.
Preço: R$ 19,40
(2)
Trajadura
Uvas: 100% Trajadura
Teor alcóolico: 10% vol.
Preço: R$ 26,17
(3)
Grinalda
Uvas: Trajadura e Loureiro
Teor alcóolico: 10% vol.
Preço: R$ 27
(4)
Aveleda Alvarinho
Uvas: 100% Alvarinho
Teor alcoólico: de 12% vol.
Preço: R$ 56
Pratos
degustados
Trouxinha
de salmão com camarão
Creme de peixe branco em ninho de nirá
Tainha grelhada com lichia
Harumaki de salmão com hortelã
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Onde
encontrar
Interfood (tel. 0xx11/3341-7255)
Jam Warehouse (r. Lopes Neto, 308, Itaim Bibi, zona sul, São
Paulo, tel. 0xx11/3079-4259)
Publicado em: 16/10/2003

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