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Por Beatriz Marques

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País já registra 275 vinícolas, faz uso de tecnologias avançadas e promete para 2007 proibir a vinificação de variedades híbridas
Campanha do Inavi  

Pare por alguns momentos diante da prateleira de uma loja de vinhos: entre os rótulos, organizados por países, os franceses ocupam posição de destaque, seguidos pelos italianos, portugueses, espanhóis, chilenos e argentinos. Em menor número estão os vinhos sul-africanos, australianos, brasileiros e... as garrafas uruguaias, numa oferta diminuta. Um panorama que os representantes de vinhos uruguaios no Brasil querem mudar. E, para isso, o Inavi (Instituto Nacional de Vitivinicultura) aposta suas fichas na Tannat, uva que costuma proporcionar vinhos encorpados e de tanino acentuado no país.

Grosso modo, a Tannat está para o Uruguai assim como a Pinotage para a África do Sul e a Carmenère para o Chile: é a uva emblemática do país, que funciona como um “diferencial” em relação às cepas mais globalizadas, como Cabernet Sauvignon ou Chardonnay, por exemplo. “Não podemos competir em preço, porque temos uma escala pequena de produção”, explica o enólogo José Luis Perrone, presidente do Inavi. “Então, quem nos representa é a Tannat”, conclui.

Desde seu surgimento, em 1987, o Inavi tem se dedicado à uva como se fosse um produto nacional. Mas a origem da Tannat é francesa — especificamente da região de Madiran. A cepa cruzou o Atlântico pelas mãos do basco-francês Dom Pascual Harriague em 1870. Encontrou abrigo e conforto nas terras uruguaias, localizadas entre os paralelos 30º e 35º (latitude sul) e tornou-se a menina dos olhos dos produtores, ocupando 36% dos vinhedos uruguaios.

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Vinhedo de Tannat
Seu desempenho no solo do novo país é motivo de elogio até dos franceses. Para Perrone, o desenvolvimento da Tannat no Uruguai foi positivo. “Não temos tantas restrições de denominação de origem como na França. Somente de uns anos pra cá é que os franceses de Madiran começaram a fazer garrafas varietais de Tannat, sem D.O.C.”, explica.

O investimento tecnológico dos uruguaios também rendeu bons frutos. “Graças a tecnologias como a de microoxigenação, os taninos ficam prontos mais rapidamente, o que faz com que os vinhos possam ser apreciados a partir de 3 anos, sem que tenhamos que esperar 8 anos como antigamente”, comemora o enólogo.

Graças à sua potência e à alta concentração de taninos, um vinho feito com a Tannat acompanha muito bem a parrillada, prato (e paixão) nacional — para um uruguaio, é mais importante ter uma churrasqueira em casa do que um carro na garagem.

Além da Tannat

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Apesar do pesado marketing agregado à Tannat, o Uruguai conta com outras cepas que fazem bonito na garrafa, muitas vezes em parceria com a própria Tannat. Merlot, Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc, Syrah, Pinot Noir e Petit Verdot fazem parte da lista, que inclui brancas como Sauvignon Blanc, Chardonnay, Sémillon e Pinot Blanc.

Se os vinhos uruguaios ainda não “pegaram” no mercado internacional, eles vão bem em casa: são 30 litros anuais per capta para uma população de 3 milhões e meio de habitantes. Do total de 868.655 hectalitros consumidos no país, 96% cabe aos vinhos nacionais.

A maior parte do vinho elaborado no país vem das bodegas familiares de pequena produção. O Inavi registra 275 bodegas produtoras — 29% delas elaboram menos de 500 hectalitros por ano. A região Sul é a mais representativa, com 90% das plantações (encabeçada por Canelones e Montevidéu). O Sudoeste vem em 2º lugar, com 7%, representada por Colonia. Outros rótulos significativos vêm do Noroeste (de Rivera, em parceria com Santana do Livramento, no Brasil).

A melhoria na qualidade das uvas também não se restringe à Tannat. Após a substituição de videiras de baixa qualidade por variedades nobres, o Inavi informa que o país estará proibido de vinificar variedades americanas e híbridas a partir de 2007.

Promessa

Há uma característica interessante na pirâmide de consumo de vinhos uruguaios no país: enquanto os tintos ocupam 52% do consumo, os vinhos rosados têm participação de 38%, muito à frente dos brancos, com apenas 10% da preferência nacional. Uma das explicações é a de que o país ainda não possui uma estratégia de exportação de rosés, mas enaltece sua qualidade. “Temos muita experiência em rosés elaborados tradicionalmente, e não a partir da mistura de tinto e branco. Nosso rosé é um vinho amigável, frutado, fresco e gastronômico.” É esperar pra ver.

Vinícolas uruguaias

Ariano (www.arianohermanos.com)
Bodegas Carrau (www.bodegascarrau.com)
Bouza (www.bodegabouza.com)
Filgueira (www.bodegafilgueira.com)
Juanicó (www.juanico.com)
Marichal (www.marichalwines.com)
Pisano (www.pisanowines.com)
Pizzorno (www.pizzornowines.com)
Toscanini (www.toscaniniwines.com)

Publicado em: 02/02/2007


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